domingo, 27 de abril de 2008

E Se ... ?



Fonte: http://havesometea.net/NonLiquet/wp-content/uploads/2007/07/roker-lighthouse-on-the-northeast-cost-of-england-jonboy247.jpg



Somos seres constantemente atormentados pelas incertezas e possibilidades, sendo, para nós, difícil lidar com estas situações, que atuam em nossos medos e expectativas, incluindo o que nós temos medo de nos tornar, o que nós gostaríamos de ser e até mesmo como gostaríamos de ser.

Talvez por isso a gente precise tanto fugir da realidade, se permitir, ainda que apenas por poucos instantes, ser algo que nos é impossível ser na realidade, por fatores que muitas vezes nos fogem do controle. Seria como acreditar que se as coisas fossem diferentes, você poderia ser quem você gostaria de ser, ser como você gostaria de ser.

Algumas vezes estas angústias começam por questões financeiras, imaginar-se fazendo coisas incríveis, diferentes, outro padrão de vida caso tivesse muito dinheiro. Imaginar-se como um conquistador nato caso fosse bonito, imaginar-se um acadêmico imbatível caso fosse inteligente, são apenas alguns exemplos.

A questão toda é que quanto a ser bonito ou inteligente, são aspectos altamente questionáveis! O ponto é: “ser bonito”, “ser inteligente” ou o que quer que seja, neste caso, pode apenas ser uma dissimulação de um estado de conforto do qual a pessoa não quer abandonar. Usar algo “imutável” como justificativa pode esconder que simplesmente a pessoa pode não estar motivada ou animada o suficiente para correr atrás de algo, lutar por algo, sair da inércia.

Li alguma vez em algum lugar que a pior coisa que se pode fazer é ficar parado em algum lugar esperando que as coisas mudem. As coisas só mudam através do esforço, do trabalho, do correr atrás e lutar para que as coisas mudem.

Não existe pior suicídio do que uma vida inócua. A vida é de cada um, cabe a cada um decidir o que fazer com ela, eu sei disso. Respeito isso, porém, do ponto de vista humano, ver uma pessoa negar a ela mesma a possibilidade e o direito de viver a própria vida, de ter uma vida produtiva, conforme Sartre, somos responsáveis por viver nossa vida.

Eu sei, a vida é de cada um, mas, não se deve jogar uma vida fora. Não se deve permitir que a preguiça, tédio ou as incapacidades e monstros que cada um criou para si impeçam uma pessoa de viver ou de lutar. Esta é a razão da vida.

Como dizia Renato Russo, “viver é foda, morrer é difícil”. Mas, não podemos deixar que as dificuldades que nos impomos, as dificuldades que tanto gostamos de ver na vida, nas pessoas e no mundo, nos impeçam de viver com responsabilidade, assumindo os nossos atos, assumindo quando erramos, enfrentando a vida e pagando o preço por isso.

Ainda conforme Sartre, cada um é responsável por sua vida, por viver sua vida da forma que achar certa e pagar o preço por isso, sem, por qualquer razão que seja, poder julgar aos outros ou, usar atos e atitudes passadas ou presentes de outrem para justificar qualquer ato ou atitude presente.

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