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Não vejo como algo errado comparar pessoas e poeira. Algumas vezes, quando minha condição emocional me foi favorável, em um fim de tarde, após observar um pôr-do-sol tímido, que só me ajudou a me sentir ainda pior, ajoelhei na areia umidecida da praia. Com um punhado de areia nas mãos, pude observar que se eu deixasse a mão muito aberta, o vendo, forte e cortante que soprava, levaria a areia com ele, caso eu deixasse a mão muito fechada, o punhado de areia começava a escapar, desfeito em grãos por entre meus dedos, para, novamente, ser levado pelo vento.
Devido ao momento altamente introspectivo em que eu estava, comecei a pensar na situação e a associei comigo. Eu me lembrei de alguns relacionamentos passados, onde a mão esteve aberta demais, outros onde a mão esteve fechada demais. Eu me senti como aquele punhado de areia.
Quando a mão esteve aberta demais, ou seja, quando a outra pessoa não deixava claro para mim o que ela sentia, o que eu era para ela, o que eu significava em sua vida, fatalmente, fui impelido para fora da vida daquela pessoa, levado pelo vento.
Quando a outra pessoa me segurou demais entre seus dedos, quando tive de pequenos aspectos, detalhes, momentos a grandes pedaços de minha liberdade ser cerceada, seja através de duras críticas, comentários cruéis, ou, até mesmo da tentativa direta de castração, eu me senti impelido a me libertar.
É inevitável; nestes momentos eu me peguei pensando e comparando o relacionamento em que eu estava com relacionamentos anteriores e com as minhas expectativas referentes ao relacionamento que eu estava vivendo. Mesmo sabendo que dois relacionamentos distintos são incomparáveis, por si só, esta necessidade de comparação foi algo completamente natural e espontânea.
A nossa natureza, tão humana, nos leva a comparar sentimentos, atenção, gemidos, sussurros, gestos, opiniões. Esta necessidade de comparar, de medir coisas, ainda que estas coisas sejam naturalmente imensuráveis, faz com que pessoas se permitam querer cobrar de outras as mesmas vivências e oportunidades que foram dadas em relacionamentos e vivências anteriores.
Esta é uma das piores sentenças que podem ser aplicadas contra a pessoa amada: usar contra ela o próprio passado dela. Justificar o que quer que seja com o passado da pessoa amada. Será que a palavra amada pode ser utilizada para se referenciar alguém que foi vítima de tamanha crueldade?
A questão é que, muitas vezes somos cegados pelo sentimento, pelo que sentimos, pelos “efeitos colaterais” do amor. Não percebemos que estamos fazendo mal a quem amamos, muitas vezes através de pequenos gestos e atitudes possessivas inconscientes.
O problema é que muitas vezes há uma importância enorme dada às pequenas coisas, aos pequenos gestos, aos pequenos e breves momentos singelos, que são obscurecidos e desconsiderados, não propositalmente, mas sim pela rotina e correria que a vida atual nos impõe. Este descuido involuntário pode nos levar, inconscientemente a “matar” por dentro uma pessoa ou a minar um relacionamento.
Poucas vezes nos questionamos qual foi, para a pessoa, a importância que teve para ela nos mandar aquele singelo recado em uma folha de papel, ainda que suja e amassada, que, simplesmente, sem perceber, ferimos mortalmente ao incendiar ou jogar fora, apenas para não deixar rastros ou vestígios da mensagem, talvez por medo da curiosidade alheia.
Será que o singelo recado ainda teria sido queimado e jogado fora caso fosse demonstrado, da parte de quem o escreveu, qual a sua importância ou significado, em preservar o recado, não simplesmente por ser um recado, mas pelo significado que teve em ser escrito?
Significado é algo importante. Porém, só pode ser percebido se dito. Não adianta esperar que a outra pessoa perceba que algo nos foi importante, se não for dito. Por mais que se ache ou que se queira achar que a pessoa entenderia, de forma natural e espontânea um significado, as coisas devem ser deixadas claras.
Não se pode esperar que a outra pessoa tenha uma atitude condizente com o que é importante para você, se você nunca deixar claro para ela o que é importante para você, por mais que ela queira.
Algumas vezes atropelamos o outro, por não saber. Algumas vezes ferimos ao outro, por não termos noção do que aquilo significa e significou ao outro.
Um relacionamento é feito das pequenas coisas.
Devido ao momento altamente introspectivo em que eu estava, comecei a pensar na situação e a associei comigo. Eu me lembrei de alguns relacionamentos passados, onde a mão esteve aberta demais, outros onde a mão esteve fechada demais. Eu me senti como aquele punhado de areia.
Quando a mão esteve aberta demais, ou seja, quando a outra pessoa não deixava claro para mim o que ela sentia, o que eu era para ela, o que eu significava em sua vida, fatalmente, fui impelido para fora da vida daquela pessoa, levado pelo vento.
Quando a outra pessoa me segurou demais entre seus dedos, quando tive de pequenos aspectos, detalhes, momentos a grandes pedaços de minha liberdade ser cerceada, seja através de duras críticas, comentários cruéis, ou, até mesmo da tentativa direta de castração, eu me senti impelido a me libertar.
É inevitável; nestes momentos eu me peguei pensando e comparando o relacionamento em que eu estava com relacionamentos anteriores e com as minhas expectativas referentes ao relacionamento que eu estava vivendo. Mesmo sabendo que dois relacionamentos distintos são incomparáveis, por si só, esta necessidade de comparação foi algo completamente natural e espontânea.
A nossa natureza, tão humana, nos leva a comparar sentimentos, atenção, gemidos, sussurros, gestos, opiniões. Esta necessidade de comparar, de medir coisas, ainda que estas coisas sejam naturalmente imensuráveis, faz com que pessoas se permitam querer cobrar de outras as mesmas vivências e oportunidades que foram dadas em relacionamentos e vivências anteriores.
Esta é uma das piores sentenças que podem ser aplicadas contra a pessoa amada: usar contra ela o próprio passado dela. Justificar o que quer que seja com o passado da pessoa amada. Será que a palavra amada pode ser utilizada para se referenciar alguém que foi vítima de tamanha crueldade?
A questão é que, muitas vezes somos cegados pelo sentimento, pelo que sentimos, pelos “efeitos colaterais” do amor. Não percebemos que estamos fazendo mal a quem amamos, muitas vezes através de pequenos gestos e atitudes possessivas inconscientes.
O problema é que muitas vezes há uma importância enorme dada às pequenas coisas, aos pequenos gestos, aos pequenos e breves momentos singelos, que são obscurecidos e desconsiderados, não propositalmente, mas sim pela rotina e correria que a vida atual nos impõe. Este descuido involuntário pode nos levar, inconscientemente a “matar” por dentro uma pessoa ou a minar um relacionamento.
Poucas vezes nos questionamos qual foi, para a pessoa, a importância que teve para ela nos mandar aquele singelo recado em uma folha de papel, ainda que suja e amassada, que, simplesmente, sem perceber, ferimos mortalmente ao incendiar ou jogar fora, apenas para não deixar rastros ou vestígios da mensagem, talvez por medo da curiosidade alheia.
Será que o singelo recado ainda teria sido queimado e jogado fora caso fosse demonstrado, da parte de quem o escreveu, qual a sua importância ou significado, em preservar o recado, não simplesmente por ser um recado, mas pelo significado que teve em ser escrito?
Significado é algo importante. Porém, só pode ser percebido se dito. Não adianta esperar que a outra pessoa perceba que algo nos foi importante, se não for dito. Por mais que se ache ou que se queira achar que a pessoa entenderia, de forma natural e espontânea um significado, as coisas devem ser deixadas claras.
Não se pode esperar que a outra pessoa tenha uma atitude condizente com o que é importante para você, se você nunca deixar claro para ela o que é importante para você, por mais que ela queira.
Algumas vezes atropelamos o outro, por não saber. Algumas vezes ferimos ao outro, por não termos noção do que aquilo significa e significou ao outro.
Um relacionamento é feito das pequenas coisas.
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